quinta-feira, 22 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Personagem em busca de autora....
Pequeno prólogo
Hoje é uma data significativa em minha vida. Uma boa data para retomar este blog!! Apesar da disposição de escrever com assiduidade, acabei por deixar de lado este veículo de escrita e me dedicar a outros. Especialmente a dramaturgia, minha paixão mais recente.
No entanto, tendo em vista o processo da nova peça chamada " A Fogueira de Eva" e do novo livro em parceria minha amiga Edméia, senti que o blog seria um local interessante para reflexões e ligações entre estas várias facetas que me compõem neste momento.
Foi um compromisso começar nesta data e manter uma constância. A primeira parte já estou cumprindo e a segunda espero dar conta!!
Para Flora, a mulher inventada
Flora não existe! Será meu personagem neste blog, birrenta e teimosa que sou. Porque no teatro contemporâneo os personagens estão em desuso e quando existem não constumam ter nomes. O teatro pós moderno é parceiro da performance, que não tem a mesma pegada de antes também. Transformou-se. Tenho aprendido muita coisa boa com esta nova geração de dramaturgos, seja em cursos ou assistindo espetáculos. Engatinho na dramaturgia, ainda tateando em torno das regras e métodos para depois conseguir me soltar.
Minha primeira peça, "Sangue Seco", foi escrita numa só tacada. Sem nada saber de nada en relação a dramaturgia, escrevi um monólogo de tom confessional e a mulher em cena não tem nome. Sem querer acertei! Pelo menos nisto. No restante é um texto bom e uma dramaturgia de iniciante. Vou modificar.
Minha segunda peça está mais interessante e em processo criativo! São três personagens, três mulheres, e que têm nome! Não foi de birra, mas sim por experimentação. A peça vai falar de mulheres acusadas de bruxaria na São Paulo colonial. É baseada em documentos históricos, fatos reais.
Mas aqui neste blog é birra mesmo. Não sou eu e sou eu. Não é um personagem e é um personagem. Sabe que estas questões assim confusas, sem nexo, também estão em voga? Super "in"!! Bom pra mim, que me sinto confusa a maior parte do tempo. Já me livro de estar aqui pra dar conselhos.....quero mais brincar com as palavras e refletir em círculos amplos. Uma pedrinha caindo na água.
E tem Flora!! Esta mulher-personagem inventada agora e protagonista deste blog que nem é popular. Mas tudo bem, é preciso energia e empenho. Enfim...voltando...Ela, a personagem, vai ser um pouco de cada mulher que me é próxima e terá pitadas de muitas mulheres com as quais convivo ou não. Flora é de dentro e de fora.
Por enquanto, leiam a letra da música "Flora" do Gilberto Gil.
Amanhã eu começo a falar sobre Flora, apresentar Flora minha personagem.
Em alguma dimensão Flora vai existir!! Afinal existe ou não existe?? Claro que não existe....mas quem sabe em alguma dimensão...Hum!!! Canseira do ser e não ser...Só sei que amo Hamlet.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Aquela Mulher
"Madalena, a santa amante de Jesus, amou-o em seus três estados. Amou-o vivo, amou-o morto, amou-o ressuscitado."
Rilke perambulando por sebos encontrou um manuscrito antigo falando de Maria Madalena. E era tamanha a beleza das palavras que ele traduziu para o alemão e divulgou.
E eu, aqui, tanto tempo depois, agradeço ao poeta.
A beleza jamais desaparecerá. O fim de tudo será a última visão...da beleza. Não sei se feroz ou mansa. Mas beleza.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Ano Novo!!
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Não apresse o rio
Não apresse o rio! E a vida segue seu curso infinito e sem destino conhecido.
A minha, por exemplo, sai de uma reta e toma uma curva, nova paisagem quase se faz ver. Curvas, atalhos, trilhas, subidas íngremes, descidas perigosas, estradas largas e outras estreitas. Algumas bem secas e costeando montanhas, o abismo se abrindo em braços largos láaa em baixo. E aquelas pontes presas por cordas, estilo Indiana Jones, balançando sem parar!! Minha vida tem dessas coisas.
Então aqui estou, tentando escrever a cada semana. Escrever para alguém? Escrever por alguma razão? Acho que não consigo escrever pensando do outro lado. Olhos ou razões como suposição. Vontade de escrever e pronto. Não existem apelos para que me leiam, exceto o endereço do blog no livro que publiquei. Então já não estou totalmente só nesta escrita.
Mas vamos aos fatos.
Sábado dia 12 de junho teve apresentação de minha peça "Sangue Seco" na biblioteca Viriato Correa, lá na R. Sena Madureira. Esta peça tem alguma coisa especial para as mulheres. Elas se emocionam e eu queria saber qual o motivo principal de cada uma delas. O amor? O sonho do casamento? As ilusões a que estamos sujeitas, todas nós, durante a vida? A vida e seu breve momento? A crença que existe alguma magia, em algum lugar, que pinte em nossas memórias o desenho secreto, o símbolo revelador da existência?
Quando a personagem diz " Eu soube aproveitar a vida!", é como se me fizesse estremecer. E eu, sei? Estou sabendo? Saberei?
Amanhã o sol nascerá mais uma vez. Hoje teve lua e estrela, lado a lado, como num quadro ideal. O céu levemente rosado não encobria o frio nas mãos e nos pés enquanto eu levava o Baden, meu amigo cão, para seu passeio vespertino.
Tudo é pequeno nos momentos sem sentido. Eu faço o sentido quando olho. Sei a noite de lua e estrelas, sei a alegria do Baden correndo atrás de uma pomba, sei que amanhã nascerá o sol. E tudo tem sentido. Não apressei o rio. Sentei e olhei.
Não é mágica. Mas é mágico. Tudo dentro do Nada.
Um dia de junho, época da copa do mundo. Brasil estréia amanhã!
Gosto de futebol e da Scarlett O'Hara, personagem de O Vento Levou . Não faz conexão alguma! É só pra dizer coisas que gosto.
Segunda próxima tento escrever novamente! Será que o Brasil ganha o jogo?
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Palestra proferida por mim no dia do lançamento do livro "A Mulher nos Jardins de Buda"
O evento foi lindo e delicado como deveria ser. Monja Coen com sua presença forte e suave ao mesmo tempo. Não posso transcrever sua fala espontânea, feita para o público presente. Assim que eu tiver o vídeo editado poderei compartilhar aqui. Minha fala estava escrita e reproduzo sem alterações.
"Acho que sempre olhei para a vida com muita curiosidade. Esta é a primeira palavra que me ocorre. Curiosidade. Imagino qual seria minha sensação infantil, antes dos nomes. Isto é uma flor, aquilo é a lua. Este é papai, aquela é mamãe. Antes dos nomes a vida dos instintos, do cheiro e do gosto, das cores e sons. O que atrai e o que dá medo. Homens e mulheres diante da vida. Semelhanças e diferenças. Memória vivida e transformada. O que seria um olhar feminino para a vida? Existe um olhar feminino para a vida? Creio que sim. Um feminino que se quer além do sexo biológico, mas que pode ser representado com maior concretude através das mulheres. Um feminino além do cultural e aprendido, sem parâmetros ou definições que o contenham. Puro mistério, como é nossa efêmera existência. Porém, jamais deixando as mulheres feito um enigma sem lugar de direito, sem voz ou desejo reconhecido, poder e respeito devidos.Talvez seja esta a grande questão do livro “A mulher nos jardins de Buda”. “O olhar feminino para a vida”.Uma questão não colocada intencionalmente, mas que de alguma maneira se impõe. Posso, quem sabe, afirmar que na história que se conta, não existe o perfil de uma mulher, ou das mulheres que são ali mencionadas. Existe uma visão, um modo, uma compreensão, que vai aos poucos se construindo. A primeira idéia sobre focalizar a dor na vida das mulheres foi ganhando outras nuances. Surgiu a vontade de trazer à tona uma personagem feminina que se colocava aos poucos em nossa comunidade. Uma personagem diferente e fascinante em seus paradoxos. Não queria, porém, reduzir uma história com tantos significados abrangentes a mero relato de superações pessoais. Eu pesquisava sobre questões de gênero e minha atenção se voltava para as historiadoras que trabalhavam com a “invisibilidade histórica das mulheres”. Mulheres que deixaram sua marca como agentes ao lado dos homens, ainda que nunca com a mesma importância dada a eles. Uma delas, Olympe de Gouges, foi quem escreveu a declaração dos direitos da mulher e da cidadã durante a revolução francesa, e morreu guilhotinada por conta de suas idéias e ousadias. Quem, além dos especialistas na área, ouviu falar desta mulher?Foi por esta via que a idéia do romance se aprimorou, existindo entre mim e a Monja Coen um entusiasmo de que este livro fosse mais que uma biografia. A idéia de que a história funcionasse apenas como um fio condutor e, desta forma, eu tivesse liberdade narrativa, mas especialmente, liberdade de imaginação. Deixei os momentos históricos como pano de fundo, ou melhor, como a moldura de um quadro, como as margens de um lago a lhe darem forma. Mas a beleza deveria estar nas pinceladas ou na água, espelho ou encantamento a se fazer. Nesta beleza, as personagens femininas com suas nuances entre sombra e luz. Assim eu transitei desde os anos 50 do século passado, onde se desenrola a infância da protagonista, até os dias atuais. Durante um ano fiz as entrevistas que me forneceram o material a ser elaborado. Algumas cenas vieram através de fotos a que tive acesso. Na mesa grande do templo elas ficavam espalhadas diante de meus olhos, as impressões sendo filtradas. Parte da inspiração veio da mesma época vivida por nós duas – eu e Monja Coen – a mesma cidade, as mesmas inquietações e extravagâncias, sonhos parecidos de liberdade. No restante, nossas trajetórias se diversificam o que me concedeu um distanciamento adequado para a escrita. Por outro lado, recusei mergulhar demais em pesquisas exaustivas porque perderia, a meu ver, o que de melhor existe em fazer ficção. Imaginar. Tão longe e tão perto da realidade! O processo criativo deste livro se pautou entre o percurso certo e a trilha aventureira. Desta maneira eu me apropriei dos personagens e criei o arcabouço em torno de suas ações e reações. Mas me mantive fiel aos fatos até a conclusão. Vou fazer uma única citação. É um pensamento do filósofo e ensaísta francês Gaston Bachelard em seu livro “ A Água e os Sonhos”. Ele diz:Quer queira quer não, o romancista revela o fundo do seu ser, ainda que se cubra de personagens. Em vão ele se servirá “de uma realidade” como de uma tela. É ele quem projeta esta realidade, é ele, sobretudo, quem a encadeia. No real, não se pode dizer tudo, a vida salta elos da corrente e oculta sua continuidade. No romance só existe o que se diz. O romance, mostra sua continuidade, exibe sua determinação. O romance só é vigoroso se a imaginação do autor for fortemente determinada, se ele encontrar as fortes determinações da natureza humana.
Continuando minhas observações, poderia dizer que o olhar feminino passou pelo sentimento de mulheres tão diferentes entre si quanto eu e Monja Coen, mas também pelas mulheres que ela encontrou vida afora e as que me acompanharam sempre, desde que nasci. Todas como fontes inesgotáveis e, de certa forma, unidas por fios invisíveis. O olhar feminino revela uma forma de reunir o que se teima em separar, ou de trazer encantamento ao que se embrutece na realidade. Um jeito de sentir ou calar a dor, de expor ou conter o amor, de se entregar ou reprimir o sexo, de rir o riso luminoso das deusas ou a risada perversa das endiabradas. Mulheres inteiras, não pela metade. Por isso mesmo nem fadas nem bruxas, mas caminhando entre todas as possibilidades, todas as oportunidades.
Dizem que as mulheres atualmente estão mais tristes e que, segundo pesquisas realizadas em vários países, elas se definem felizes apenas na juventude. Quanto mais o tempo passa mais insatisfação com a vida, mais preocupação com a velhice, com o corpo a ser conservado intacto apesar do tempo. Mas não são apenas as mulheres. Vivemos uma época na qual é preciso refletir sobre a vida que levamos. O que falta, é exatamente disposição para refletir, pensar com mais cuidado sobre o que admitimos ser nosso desejo, nossa vontade ou nossa opinião. Todos nós sabemos o que seria melhor fazer e como amenizar o impacto da vida moderna em nosso cotidiano. Mas não fazemos.
Este tem sido um tempo de muita infantilidade. Basta ver a atração hipnótica pelos brinquedos tecnológicos em constante mutação. Ou perceber a obediência cega ao que vem de fora e com imposição de massa. O que será feito da perseguição pelos corpos perfeitos que assistimos atualmente? E da impossibilidade da velhice? Quanto mais negamos a velhice, mais angustia deixamos para os que virão depois de nós, porque uma distorção se amplia e propaga.
Permanecer jovem é ser ousado no pensamento e aberto no sentimento. No entanto, as mulheres ainda podem ser agredidas pela roupa que usam ou os gestos que as mobilizam. Este é o velho no sentido da rigidez emocional e da paralisia mental. Beleza, juventude ou velhice, estão além do que o corpo proporciona. E além do corpo o infinito espreita. Nem eu nem o outro, apenas a intimidade de existir diante do mesmo milagre feito de chegadas e partidas que é a vida. O olhar feminino sabe disto, mas esqueceu desde que Eva, nua e curvada sobre si mesma, foi expulsa do paraíso ao lado de Adão.
A Mulher nos Jardins de Buda é um romance que pretende lançar um olhar feminino pleno de ação e imaginação as questões atuais. Não é um livro para mulheres, mas sobre mulheres, que com sua vida, podem assim como os homens, ser motivo de aprendizado e inspiração. "